ALEX CERVENY - O CONTADOR DE IMAGENS . CELSO FIORAVANTE

Alex Cerveny é um outsider na arte contemporânea brasileira. Autodidata, não freqüentou os bancos da Faap, em São Paulo, ou do Parque Lage, no Rio de Janeiro, escolas que ratificariam sua condição de artista. Preferiu se manter livre. Seus mestres foram Valdir Sarubbi e Selma D’affrè, professores independentes que, em vez de interferir em seu trabalho, preferiram ser generosos e apresentar técnicas, idéias e posturas ao artista iniciante. Em sua produção não cabe doutrina, não cabe lei, não cabe regra, não cabe rotina. Cerveny viaja de uma técnica à outra, de um  material ao outro, de uma linguagem à outra. Faz desenhos, pinturas, aquarelas, gravuras, esculturas e colagens. “Gosto de exercitar uma esquizofrenia artística”, diz ele, reconhecendo que suas preferências são o desenho e a aquarela, técnicas com as quais ele consegue registrar toda a velocidade de sua criatividade. Suas imagens são surrealistas, infantis, bucólicas, dramáticas, esotéricas, violentas, simples e complexas. Seu repertório provém da ciência, da história, da arte, da arquitetura, da televisão, da família, de seu cotidiano ou de sua própria imaginação, afinal, não é todo dia que se vê um homem com cabeça de martelo ou uma mulher que se transforma em árvore. “Eu não consigo sair de casa sem ler jornal e não consigo trabalhar sem a televisão ligada”, diz ele. Os personagens contorcidos, por exemplo, recorrentes em sua produção, remetem ao período em que trabalhou em circo. Há 20 anos no mercado (sua primeira individual foi em 1982), Cerveny não se contenta em criar imagens. Ele prefere criar narrativas em que os personagens dialogam e/ou se digladiam com o objetivo de ocupar o espaço criado pelo artista com cor, linha, forma e pensamento. “Eu me sinto muito mais identificado com a literatura, com a narrativa, do que com arte contemporânea. Eu me sinto mais um escritor que escreve com imagens, me sinto mais um cronista que um artista. A tradição que eu gosto na arte é essa de contar histórias, com retábulos, com os muros assírios que contam histórias de batalhas...”, resume Alex Cerveny.