SOBRE RODOLPHO PARIGI . LUÍSA DUARTE

Sobre Rodolpho Parigi

A pintura de Rodolpho Parigi pode ser vista dentro de uma vertente que surge de maneira forte numa nova geração de artistas brasileiros nessa primeira metade dos anos 2000. Tal vertente refaz, à sua maneira, o gesto que já vimos na história da arte, qual seja, o de se apropriar dos espaços arquitetônicos, buscando sair da tela. Sua pintura também encontra irmandade com outras manifestações contemporâneas no que possui de traços de um desenho orgânico, que se afasta dos rigores geométricos. Se a parede é feita de ângulos retos, a intervenção de Parigi vai desfazer a ordem ao mesmo tempo em que se vale dela. Há aqui uma explosão de formas, e por vezes de cores, que mistura de forma singular humor e organicidade, traços psicodélicos e precisão formal.

            A formação do artista reúne uma multiplicidade de referências que incluem o grafite de rua, a pintura de Bosch, os ensinamentos da perspectiva, o universo visceral de Adriana Varejão. Se falamos em explosão de formas e cores, esta explosão é ao mesmo tempo contida, numa espécie de instauração do caos de forma organizada. Note-se que tal rigor formal é conquistado somente com o trabalho manual. O artista não se vale de projeções ou qualquer outro recurso nas pinturas que realiza, seja as de menor ou maior escala. Trata-se do embate solitário do artista com a tela (que também pode ser suporte do trabalho) ou a parede. Neste embate entram em cena outras disciplinas caras a Parigi, como a música, que dita o ritmo dos gestos, e a dança, uma paixão que, de alguma forma, entra em cena quando o artista se vê frente à batalha corpórea com grandes dimensões a serem preenchidas.     

            Novos caminhos possíveis para a pintura – que só pode ser criticada e reformulada pela própria pintura, como dizia Clement Greenberg e gosta de repetir Parigi - é o que vemos na obra deste artista.

 

Luísa Duarte