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Casa Triângulo tem o prazer em apresentar Jardim Flamejante, a primeira exposição individual de Rafael Chavez na galeria, com texto crítico de Walter Arcela. Fotos: Filipe Berndt
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Five Flaming Points of a Star
Point I – Heat as a ConditionIn the searing noontime heat of Paraíba’s arid caatinga, four young people try to shield themselves from the sun beneath a leafless umbuzeiro tree. To create shade, they tie a sheet to its bare branches. The improvised shelter offers little relief, as the caatinga’s hot breath, rising from the sparse, thorny growth all around, presses in on them. It is in this environment that Rafael Chavez, alongside artists Yasmin Formiga, Água Yayu, and her sister Rafaella Marinho, begin firing ceramics in a handmade kiln built in the middle of the caatinga. The firing starts at midday so that by late afternoon, around six o’clock, the clay reaches the point at which the material hardens and acquires a sheen.The kiln took four days to cool, and throughout those four days the mystery of whether the method would work hovered over Chavez’s anxious waiting. Ambient temperatures fluctuate between 35 and 38 degrees Celsius, which is nothing compared to the kiln’s internal temperature, reaching between 800 and 900 degrees Celsius – the ideal range for bisque firing. In this exposed, sun-scorched landscape, the heat that already feels stifling in daily life becomes almost irrelevant when measured against this other thermal scale. A new stage now emerges in the artist’s production, extending beyond the unprecedented experimentation with clay as a support material: fire, heat, and all that blazes become conditions of work, atmosphere, risk, and creation. -
Retina curada em mel, 2026 -
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Umbuzeiro florindo, 2026 -
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Ponta III — Saberes geracionais indiretos
O bisavô de Chavez, Otavio Marinho, era oleiro na cidade de Santa Luzia, que fica a cerca de 300 km da capital paraibana. Ele fabricava telhas, e a artista conta que “Metade das casas da cidade foi coberta pelas telhas dele”. À época, não existiam equipamentos de proteção. As queimas eram diárias e o contato desprotegido com o fogo e a fumaça lhe comprometeram a visão até deixá-lo cego. Dessa história, inclusive, surge a pintura Retina curada em mel, presente na mostra. O barro que antes cegou e rendeu a opacidade de visão numa família projeta agora, com a produção de Chavez, imagens e atualiza cenários e a olaria retorna como um saber ancestral, transmitido no ar, tal qual uma memória coletiva inconsciente. Embora não haja uma ligação literal e direta entre as técnicas da artista e do seu avô, a argila é a mesma, o enredamento com o território também, e, sobretudo, o conhecimento que emerge das mãos, da intimidade prolongada com a matéria e com o próprio fazer.
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Ponto de lava, 2026 -
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Semente 07, 2025 -
Semente 08, 2025 -
Semente 12, 2025 -
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A mesma estrela que brilha aqui, brilha lá, 2026 -
Ponta V — Jardim flamejante
Na pictórica de Rafael Chavez a luz assume uma intensidade quase corpórea e a insinuação de volumes a complementa. Nas temáticas, as estrelas não sinalizam distâncias, e sim pulsam como pontos de gravitação num céu terrestre. Tudo isso é atravessado por derretimentos, texturas, brilhos neons numa visualidade quase digital, o que é curioso quando pensamos na memória arqueológica da caatinga que alguns trabalhos possuem. Essas presenças de paisagem, traduzidas em intensidade, afirmam um território sensível, um jardim que cintila suas próprias superfícies, e que é bem sucedido no interesse em juntar céu e terra como um só.
Walter Arcela
Bolsista de aperfeiçoamento da CAPES em PPGAV/UFPE
Membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA)
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