Yuri Firmeza: Este Lado Para Cima: Casa Triângulo, São Paulo, Brazil

18 Outubro - 12 Novembro 2011
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Apresentação

(Des)Convenção sem acordos tácitos.

Em São Paulo estive ao lado de Bruxos, Magos, Feiticeiras e Ciganas. Foram poucos. Somos tantos. Foram muitos. Malabaristas dos enunciados, coreógrafas das vozes, parrhesia. Línguas flamejantes de um rabo decepado – “palavração” de uma Maga. Uma língua inteira esquecida! Gruinha do outro lado a Bruxa cuja discípula camuflava-se com majicontrast vermelho rojo labaredas de fogo – o que foi entendido como Magie Contact. O amigo de Artaud apelidado de L'Âge d'Or já havia apontado para o anagrama: Magie-Image. Terreno dos mistérios, dos uivos inumanos maiores que nós. Maiores porque constituintes, atravessadores e transbordantes. Somos uivos materializados. Basta um sopro. A amiga de Nijinsky apelidada de LenLyeLucyLippard já havia apontado para o anagrama: Sopro-Poros. A outra, para encontrá-la, portas infinitas. Abertas, abertas, abertas. A cigana e a sua máquina de fôrma para as palmas de mãos à espera de seus tracejados – ela aposentara o bisturi que outrora inscrevia o emaranhado das linhas no corpo. Linhas cravadas, mas não imóveis. Retorcê-las. O menino, considerado por alguns o Grã-Bruxo, era pura voragem informe. Invisível. Em telepatia o Por Vir disparado pelo Livro da Criação. No entanto, os cataclismos mais reentrantes eram, ironicamente, os reforantes – aqueles que nos abismam.  A composição dodecafônica dentre as tantas entoadas em uma espécie de mantra: “Um dos problemas visados pelas práticas artísticas na política de subjetivação em curso tem sido a anestesia da vulnerabilidade ao outro”. Estrondo. Corpo aberto. São todos frágeis. E, alguns em coro: Bruxos de meia-tigela, charlatões, falcatruas. Vocês são uns frágeis! Molengas! Quebrantáveis! Bradam os monólitos da verdade. Sim, a fragilidade como condição de bruxo. Corpo escancarado. A região fronteiriça borrada, apagada, dilatada. O arcabouço cingido-identitário ruiu. As rígidas estruturas todas carcomidas. A fragilidade distancia-se de sua definição costumeira, óbvia e enfraquecida – sinônimo do que é pouco durável, do que não tem saúde, força e vigor. Ao contrário de tais definições patologizadas e patologizantes a fragilidade como potência; como condição inventiva inerente à arte, ao corpo e à vida. Feitiçarias que não apenas atuam nestas zonas de vulnerabilidade, riscos e contágios. Propiciam-nas. Criam-nas através dos gestos.  Esgarçados. Este lado para cima. Cuidado, vazio e autonomia.  Crash! Praaa! Crack! prac! prec!, Infindáveis estilhaços sem começo concebível e sem fim imaginável. Sim, frágil!