Luiza Gottschalk

Apresentação

À primeira vista, as pinturas de Luiza parecem exalar ondas de energia, o que não surpreende em uma artista que já foi bailarina e atriz de teatro. A energia dos movimentos coreografados no ato de pintar resulta num fluxo de traços intensos, em cores escuras ou sutis, que flutuam, evanescentes, ao sabor de ritmos secretos. Figuras misteriosas, humanas ou animais, sugeridas ou insinuadas, povoam paisagens imaginárias oriundas de memórias ou sonhos. Várias delas remetem à bucólica Serra da Mantiqueira, entre Minas Gerais e São Paulo, onde Luiza cresceu, longe de centros urbanos. 

 

As obras podem refletir tanto serenidade quanto turbulência, evocando agitação pujante ou quietude. Entre derramamentos de tinta, pinceladas propositais e tingimentos por submersão, Luiza cria imagens indefinidas, em sua maioria, mas que despertam nossos sentimentos mais profundos - sentimentos interiores, emoções acumuladas ao longo do tempo, escondidas, que retornam vívidas à superfície. Segundo a artista, seu trabalho deve ser lido como se fosse poesia, em voz alta, em sintonia com a música, quase meneando. 

Sarina Tang

Obras
Biografia

Luiza Gottschalk (1984, São Paulo, Brazil), cresceu na Serra da Mantiqueira. Suas pinturas se contextualizam a partir de dois eixos principais; Teatro e Natureza.

 

Natureza advinda das memórias vívidas durante a infância na floresta - era pre-ciso viajar 70km todos os dias para ir à escola. Essa experiência desdobra-se em camadas onde cor, textura e emoção colidem. À medida que a artista trabalha e retrabalha suas composições, suas pinturas tornam-se progressivamente mais ex-perimentais. Seu trabalho investiga o que ela chama de overflow, uma abordagem processual que emerge do uso contínuo de materiais e procedimentos. Ao colocar tecidos de tramas abertas saturados de tinta líquida sobre a tela, cria gradientes orgânicos de cor e percursos moldados pelo movimento natural da água. Os te-cidos são reutilizados por anos permitindo a ação do tempo no processo onde as imagens emergem do próprio fazer - uma pintura nunca é projetada previamente. O resultado é um equilíbrio entre gesto intuitivo e investigação formal, que constrói profundidade enquanto estabelece uma conexão íntima e física entre a artista e seu medium.

 

 O outro eixo conceitual do trabalho vem de sua relação com o Teatro; atriz, direto-ra e cenógrafa teatral, Gottschalk teve sua primeira experiência de linguagem como artista criadora da Cia de teatro Os Satyros. Por 10 anos desenvolveu práticas e procedimentos relacionados ao palco e a interação com o público, já que esse gru-po foi um dos precursores do teatro performativo no Brasil.

 

O universo artístico de Luiza Gottschalk vive entre esses dois eixos conceituais que acabam por se materializar como exposições que operam na interseção de lingua-gens artísticas, usando artifícios performáticos, teatrais e arquitetônicos para a construção de cada show como um trabalho em si.

 

Graduada em Artes Cênicas pelo teatro-escola Célia Helena (2001), em artes Plás-ticas pela FAAP (2014) e pós graduada em Artes Visuais pela FAAP (2018), Luiza Ganhou os 46º e 47º prêmios da anual de artes no Museu de Arte Brasileira MAB. Dentre as suas exposições individuais, destacam-se Sol (Parque das Ruínas, Rio de Janeiro, 2024); Ensaio Aberto (Praça das artes, São Paulo, 2019 - curadoria Ana Paula Cohen); e Clareira (Museu Nacional da República,Brasília/DF, 2022). Também se destacam as coletivas Artists at Work (ISCP-NY, Nova Iorque, 2020), Práticas Artísticas contemporâneas: formação continuada (MAB-FAAP,São Paulo, 2018), Reverberações Surrealistas (MAB-FAAP, São Paulo/SP, 2024), e Sublime Spirit (Marianne Boesky Gallery, Nova Iorque/NY, 2024). Participou das residên-cias artísticas internacionais ISCP-NY em Nova Iorque/2020, Siena Art Institute em Siena, Itália / 2016 e Agora Collective em Berlim/ 2012.