Apresentação
Antonio Henrique Amaral é uma voz singular na arte brasileira e latino-americana da segunda metade do século XX. Nascido em 1935, ele faz parte da geração que alcançou sua maturidade sob o arbítrio autoritário do regime militar implantado no Brasil em 1964, tendo produzido algumas das mais aguçadas alegorias desse período. Visceral, sua obra enfrentou com a mesma intensidade a violência política, o mal-estar existencial e o desejo erótico. Experimental, desafiou lugares comuns sobre composição cromática, tratamento de superfícies e coesão estilística. O cruzamento entre sua atitude visceral e sua ousadia experimental faz dele não apenas um criador que deve ter reconhecido seu lugar na história da arte brasileira e latino-americana, mas também um artista influente para as jovens gerações que desafiam normatividades e autoritarismos.
Obras
Biografia

Antonio Henrique Amaral (São Paulo, 1935-2015) iniciou sua formação artística em meados da década de 1950, estudando desenho com Roberto Sambonet na Escola do Museu de Arte de São Paulo (MASP) e, em seguida, gravura com Lívio Abramo no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). Realizou sua primeira individual, composta por gravuras, no MAM-SP em 1958, e expôs no mesmo ano também no Chile.

Convidado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para exibir suas obras na Pan American Union (Washington, D.C., EUA) em 1959, conseguiu na época uma bolsa da Ingram Merrill Foundation para o Pratt Graphic Art Center (Nova York, NY, EUA), onde estudou gravura com Shiko Munakata e Walter Rogalski. Foi na prática em gravura orientada por Abramo e Munakata que o artista adquiriu a disciplina necessária para lidar com diferentes materiais e técnicas.

Como resposta ao golpe militar ocorrido no Brasil em 1964, Amaral passou a desenvolver uma obra de cunho explicitamente político e teor satírico, incluindo elementos da cultura popular e de massas, no que se destaca seu álbum de xilogravuras O meu e o seu (1967), então apresentado no Mirante das Artes (São Paulo), galeria em que era sócio Pietro Maria Bardi. O período também marcou o início de seu trabalho em pintura, tendo realizado entre 1968 e 1975 sua emblemática sequência de telas que problematizam o motivo da banana como símbolo nacional. No Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro de 1971, recebeu o prêmio de Viagem ao Exterior e seguiu para Nova York, de onde retornou em 1981. Outro destaque de sua trajetória é o painel São Paulo – Brasil: Criação, Expansão e Desenvolvimento (1989), instalado no saguão principal do Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo do Estado de São Paulo, resultado de sua premiação em concurso.

No decorrer de mais de seis décadas de trajetória artística, Amaral apresentou seu trabalho em diversas individuais e coletivas tanto no Brasil quanto em países da América Latina, América do Norte, Europa e Ásia. Suas obras integram diversas coleções públicas importantes no país e no exterior, como: Art Museum of the Americas (AMA), Washington, D.C., EUA; Casa de Las Américas, Havana, Cuba; Instituto de Arte Latinoamericano (IAL), Santiago, Chile; Latin American Art Collection, Essex University, Essex, Inglaterra; Metropolitan Museum of Art (The MET), Nova York, NY, EUA; Museo de Arte Americano de Maldonado (MAAM), Maldonado, Uruguai; Museo de Arte Moderno de México (MAMM), Cidade do México, México; Museo de Arte Moderno de Bogotá (MAMBO), Bogotá, Colômbia; Museo Nacional de Arte (MNA), La Paz, Bolívia; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), São Paulo; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), São Paulo; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), Rio de Janeiro, e Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo.

Seu trabalho foi extensamente discutido pela crítica brasileira e internacional, contando com comentários de Aracy Amaral, Jacqueline Barnitz, Damián Bayón, Sheila Leirner, Geraldo Ferraz, Vilém Flusser, Benjamin Forgey, Shifra Goldman, Ferreira Gullar, Casimiro Xavier de Mendonça, Maria Alice Milliet, Frederico Morais, Roberto Pontual, Bélgica Rodríguez e Edward J. Sullivan.

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