• Casa Triângulo tem o enorme prazer de apresentar Sem Palavras, nova exposição individual de Vânia Mignone, celebrando 30 anos de parceria entre a artista e a galeria.

     

    Vânia Mignone constrói imagens que parecem surgir de um lugar ao mesmo tempo íntimo e impessoal, como se viessem de uma memória que não pertence inteiramente a ninguém e, justamente por isso, pudesse pertencer a todos. Em sua obra, o mundo é feito de fragmentos: árvores, estradas, pássaros, figuras humanas, postes, torres, horizontes e palavras. Nada se oferece como narrativa fechada. Cada pintura é antes um foco de tensão, onde o banal, o onírico, o afetivo e o inquietante passam a coexistir com uma naturalidade perturbadora.

     

    Há algo de profundamente singular na maneira como Mignone transforma a pintura em acontecimento psíquico. Suas cenas têm a nitidez de um flagrante e, ao mesmo tempo, a instabilidade de uma lembrança em formação. São imagens que parecem ter sido arrancadas do fluxo da vida, mas que, ao serem pintadas, deixam de registrar o mundo para revelar sua zona mais ambígua: aquela em que o familiar se torna estranho, em que a ternura convive com a ameaça, em que o humor e o desconforto ocupam o mesmo espaço. Sua obra não descreve o real; ela o desloca, abrindo fendas por onde escapam desejo, medo, vertigem, silêncio e vigília.

     

    As palavras não funcionam como legenda, mas como matéria emocional da imagem: “NOITE”, “SOLIDÃO”, “UM PERIGO SEMPRE”, “NA CURVA DA ESTRADA”, “PAIS DO FUTURO”, “O ABISMO”, “ESPERAMOS”, “NUVEM” e “ACONTECIMENTOS”. Elas não explicam o que vemos; elas contaminam o que vemos. Ao mesmo tempo, árvores, estradas, pássaros, torres e figuras humanas aparecem como emblemas de estados interiores, quase como se cada elemento tivesse sido depurado até se tornar signo de uma experiência mental ou afetiva. Há nessa operação uma rara precisão: Vânia não ilustra sentimentos, ela inventa para eles uma forma.

     

    Também é muito forte o modo como esses trabalhos afirmam sua presença. O uso do MDF e da colagem faz com que cada pintura possua uma materialidade muito própria, reforçando a sensação de que estamos diante de imagens densas, compactas, quase encapsuladas, como se cada uma guardasse um pequeno teatro interior. Vê-las é menos decifrá-las do que entrar em sua atmosfera. E talvez seja justamente aí que esteja a força da obra de Vânia Mignone: na capacidade de fazer da pintura um lugar onde o visível nunca se esgota no que mostra, porque está sempre vibrando com aquilo que mal consegue dizer.

    • Untitled, 2026
      Untitled, 2026
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    • Untitled, 2026
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    • Untitled, 2026
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    • Untitled, 2026
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    • Untitled, 2026
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  • Vânia Mignone (1967, Campinas, Brasil. Vive e trabalha em Campinas, Brasil) é Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Pontifícia Universidade...

    Vânia Mignone (1967, Campinas, Brasil. Vive e trabalha em Campinas, Brasil) é Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e Bacharel em Educação Artística pela UNICAMP, Campinas, Brasil. Entre suas exposições individuais destacam-se: Sem palavrasm, Casa Triângulo, São Paulo, Brasil (2026); A Esperança Equilibrista, curadoria de Lilia Schwarcz, Casa Triângulo, São Paulo, Brasil (2024); Vânia Mignone: De tudo se faz canção, curadoria de Priscyla Gomes, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo e Palácio das Artes, Belo Horizonte, Brasil (2023); Ecos, Museu de Artes Visuais da UNICAMP, Campinas (2019); Eu poderia ficar quieta mas não vou, curadoria de Danillo Villa, SESC Presidente Prudente, Presidente Prudente (2017); Casa Daros, curadoria de Hans-Michael Herzog, Rio de Janeiro; Cenários, curadoria de Ana Magalhães, Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo (2014). Participou de diversas exposições coletivas como: Un acto de ver que se despliega: Colección Susana y Ricardo Steinbruch, curadoria de Manuel Borja-Villel e Beatriz Martínez Hijago, Museo Reina Sofía, Madrid; Novas Aquisiçõesa , curadoria de Valéria Piccoli, Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo (2022); Por um sopro de fúria e esperança – Uma declaração de emergência climática, curadoria de Galciani Neves e Natalie Unterstell, Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia, São Paulo; Crônicas Cariocas para Adiar o Fim do Mundo, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro; Língua Solta, curadoria de Moacir dos Anjos, Museu da Língua Portuguesa, São Paulo; 1981/2021: Arte Contemporânea Brasileira na Coleção Andrea e José Olympio Pereira, curadoria de Raphael Fonseca, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, Brasil, (2021); Dia, noite, noite Coleção Andrea e José Olympio Pereira, curadoria de Júlia Rebouças, São Paulo, Brasil (2020); Itinerâncias da 33ª Bienal de São Paulo - Afinidades Afetivas, curadoria de Gabriel Pérez-Barreiro, Campinas, Brasília, Porto Alegre e Vitória, Brasil (2019); Inequívoco, Fundación Canaria para el Desarrollo de la Pintura, Las Palmas de Gran Canaria (2019); Mulheres na Coleção do MAR, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro; Mínimo, Múltiplo, Comum, curadoria de José Augusto Ribeiro, Pinacoteca, São Paulo; 33ª Bienal de São Paulo - Afinidades Afetivas, curadoria de Gabriel Pérez-Barreiro, Fundação Bienal, São Paulo (2018); Modos de Ver o Brasil: Itaú Cultural 30 anos, curadoria de Paulo Herkenhoff, Thais Rivitti e Leno Veras, Oca, São Paulo (2017). As obras da artista estão presentes em coleções como: The UBS Art Collection; Instituto Inhotim, Brumadinho; Museu de Arte Contemporânea da USP; Museu de Arte Moderna de São Paulo; Museu Afro Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Coleção Gilberto Chateaubriand - Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Banco Itaú; Museu de Arte Brasileira da FAAP; Fundación Canaria para el Desarollo de la Pintura, Instituto Inhotim, entre outras.