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A Casa Triângulo participa da feira Rotas com uma apresentação que reúne Luiza Gottschalk, nova artista representada pela galeria, Rafael Chavez, Matías Duville e Zé Carlos Garcia.
A participação coincide com importantes projetos institucionais dos artistas: Matías Duville representa a Argentina na 61ª Bienal de Veneza, enquanto Rafael Chavez participa este ano do Panorama da Arte Brasileira, no MAM São Paulo. No Setor Mirante da Rotas, com curadoria de Bernardo Mosqueira, a galeria apresenta ainda obras de Antonio Henrique Amaral, Matías Duville, Zé Carlos Garcia e Rafael Chavez.
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LUIZA GOTTSCHALK
À primeira vista, as pinturas de Luiza parecem exalar ondas de energia, o que não surpreende em uma artista que já foi bailarina e atriz de teatro. A energia dos movimentos coreografados no ato de pintar resulta num fluxo de traços intensos, em cores escuras ou sutis, que flutuam, evanescentes, ao sabor de ritmos secretos. Figuras misteriosas, humanas ou animais, sugeridas ou insinuadas, povoam paisagens imaginárias oriundas de memórias ou sonhos. Várias delas remetem à bucólica Serra da Mantiqueira, entre Minas Gerais e São Paulo, onde Luiza cresceu, longe de centros urbanos.
As obras podem refletir tanto serenidade quanto turbulência, evocando agitação pujante ou quietude. Entre derramamentos de tinta, pinceladas propositais e tingimentos por submersão, Luiza cria imagens indefinidas, em sua maioria, mas que despertam nossos sentimentos mais profundos - sentimentos interiores, emoções acumuladas ao longo do tempo, escondidas, que retornam vívidas à superfície. Segundo a artista, seu trabalho deve ser lido como se fosse poesia, em voz alta, em sintonia com a música, quase meneando.Tang, Sarina. Troposfera Compartilhada - Artistas Brasil China, Andrea Jakobsson Estúdio, 2024
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Fusão, 2025 -
A Encantadora, 2026 -
Trilha dos Véus, 2026 -
Erupção, 2025 -
MATIAS DUVILLE
Interessado em deslocamentos físico e mental para mudar referências e percepções, Matias Duville se coloca em diferentes situações para entender como ele e o seu trabalho se transformam. Com seus desenhos em carvão, tinta ou com lama, Duville propõe realidades paralelas e discussões sobre a paisagem e o caos. Para ele o ato de desenhar vai além: é estar atento a qualquer acidente ou perda de controle, é autoconhecimento. “conforto demais não é bom”, afirma o artista que montou um ateliê móvel no Alasca, para criar uma série de desenhos ligados à imaginação, ao atravessamento físico e intelectual da natureza e à memória, e visita frequentemente uma land art que criou no interior da Argentina para entender mutações externas e internas. Sua vida no ateliê está ligada a momentos de acerto e erro, de domínio e perdição. O desenho é uma janela poderosa e, por isso, quando está criando, ele expande a geografia mental, entrando num estado hipnótico que o leva para as muitas dimensões que ele mesmo elabora. Seu espaço de trabalho é a própria mente.
Beta Germano. Espaços de trabalho de artistas latino-americanos. Editora Cobogó/Act., 2019
Coleções públicas: Blanton Museum, Austin, EUA; Fondazione Cassa di Risparmio, Modena, Itália; Fundación ARCO, Madri, Espanha; Museo de Arte Contemporáneo de Castilla y León, León, Espanha; Museo de Arte Contemporáneo de Rosario, Rosario, Argentina; Museo de Arte de Lima, Lima, Peru; Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina; Museo de Arte Moderno de Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri, Espanha; Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil; Museum of Latin American Art, Long Beach, EUA; MoMA, Nova York, EUA; Patricia Cisneros Collection, Nova York, EUA; Solomon R. Guggenheim, Nova York, EUA; Tate Modern, Londres, Inglaterra e Tiroche De León Collection, Jaffa, Israel.
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Sintonia y Colapso, 2011 -
En Mundos Paralelos, 2020 -
Blue car party, 2023 -
RAFAEL CHAVEZ
Rafael Chavez é uma artista plástica autodidata da caatinga, no sertão da Paraíba, em Santa Luzia, na região do Vale do Sabugi, berço arqueológico com mais de 25 sítios catalogados pelo IPHAN. Sua trajetória artística é marcada pela diversidade de materiais e formas de expressão, Esse contexto rico em diversidade fomentou sua curiosidade e desejo de experimentar diferentes mídias, incluindo pintura a óleo, acrílica, aquarela, pintura digital, animação, escultura, videoarte e música.
As obras de Chavez transcendem a simples representação visual, explorando interseções entre corpo, paisagem, espiritualidade e território. Sua produção celebra a vitalidade do sertão nordestino e as dinâmicas da vida sertaneja, que impregnaram seu processo de pesquisa artística sem estereótipos, juntamente com os mistérios e possibilidades arqueológicas da mata caatinga. A expressão de corpos queer e desviantes também é um dos fios condutores do seu trabalho, desafiando normas predefinidas de identidade e autenticidade.
O trabalho de Rafael Chavez celebra a diversidade em todas as formas de expressão. Cada obra é um portal para compreensões mais profundas sobre a existência em um universo diverso. Suas obras destacam questões contemporâneas sobre identidade, resistência e transformação, refletindo suas experiências pessoais e a rica herança cultural do sertão nordestino. A arte de Chavez transforma as complexidades da existência em uma euforia vibrante, desafiando o espectador a repensar normatividades e estereótipos.
Coleções públicas: Jorge M. Pérez Collection / El Espacio 23, Miami, EUA; Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil e Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, Brasil.
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Tudo que eu disse pro vento, 2026 -
ZÉ CARLOS GARCIA
Artista visual, estudou escultura na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Laje. As esculturas de Zé Carlos Garcia se apresentam como entes insólitos que podem tomar a forma de insetos imaginários, uma vez que resultam de uma combinação de membros de diferentes espécies, ou ainda da mescla de plumas e partes de mobiliário de madeira. Dessa junção originam-se híbridos que, além de conservar os significados das partes que os compõem, geram uma curiosidade mórbida em relação à sua natureza. Garcia parece assim evidenciar certa perversidade do público, refém, entre estranhamento e fascínio, de seu próprio voyeurismo diante de corpos dilacerados, por mais fictícios que sejam. A possibilidade de recriar o mundo através de formas inicialmente estabelecidas pela Estética, isto é, não propostas como “dadas” pela natureza, impeliu-o a uma linha de pesquisa que levou à construção escultural de “pássaros”, à redefinição de “insetos” e aos “bustos” esculpidos em pedras sedimentares que não permitem uma forma definida. O simbolismo dos discursos de poder que marcam a construção da história da humanidade também está presente na pesquisa de Zé Garcia, como nos “bustos” com sua noção da efemeridade e ruína, e nas bandeiras de crinas de cavalo e nas fincas de madeira que nos remetem aos mastros, às esculturas equestres e aos obeliscos, marcos de conquista e de narrativas de territórios. A “construção” do seu trabalho origina-se de corpos existentes, às vezes mortos, estáticos, encontrados, naturais ou artificiais, e gera objetos - seres - sob o signo da escultura. Peças e fragmentos de móveis antigos associados a penas, plumas de carnaval e crinas de cavalo são organizados para criar híbridos com poder estético e alegórico. Seus trabalhos escultóricos caminham na contramão das obras criadas para a posteridade e executadas em materiais consistentes, dialogando com a dimensão da eternidade e da ruína, com a construção de um ideário e a perda do poder. O artista sugere, portanto, uma discussão com o corpo como peça central - seja animal, humano ou escultural - e a experiência como ação voluntária que altera a paisagem, passando por constante mudança morfológica, também através da adição de novos elementos.
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peixe carranca, 2023 -
SP-ARTE ROTAS . MIRANTE
ANTONIO HENRIQUE AMARAL . MATIAS DUVILLE . RAFAEL CHAVEZ . ZÉ CARLOS GARCIACURADORIA DE BERNARDO MOSQUEIRA
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PRIMEIRO ESTUDO: SOBRE A PAISAGEM
Mirante é uma seção da SP-Arte Rotas que apresenta uma exposição com curadoria do diretor artístico, reunindo obras excepcionais apresentadas por diferentes galerias participantes da feira. Nesta edição, cerca de setenta obras produzidas ao longo de mais de um século por mais de cinquenta artistas brasileiros e de outras regiões da América Latina nos convidam a questionar e expandir a própria ideia de paisagem, revelando a extraordinária diversidade de modos de viver, conhecer, sentir, imaginar e inventar o mundo que caracteriza a produção artística do continente.
As obras aqui reunidas experimentam a paisagem de maneiras muito distintas. Mais do que um gênero da representação artística, ela aparece como um campo de imaginação e pensamento sobre as relações entre os seres e seus entornos. Longe de reduzi-la a um simples cenário para a ação humana, essas obras apresentam a terra, a água, a cidade, o campo, a floresta, a noite, os sonhos, os animais e os seres humanos como agentes igualmente vivos e participantes de mundos compartilhados. Aos poucos, a paisagem deixa de ser a representação de um espaço observado à distância para questionar a própria ideia de distância, afirmando relações de continuidade, interdependência e coexistência entre diferentes formas de vida.
Diante de uma paisagem, somos confrontados, sobretudo, por nossas próprias maneiras de perceber. Podemos nos perguntar tanto sobre o que ela nos mostra quanto sobre aquilo que torna imperceptível. Em um tempo marcado pelo agravamento da crise climática e pela crescente concentração de poder e recursos, questionar a paisagem é também interrogar os pressupostos modernos que nos conduziram a este ponto crítico. Esta reunião de obras procura provocar uma reflexão sobre as formas pelas quais aprendemos a separar natureza e cultura, humano e mundo, eu e outro. Afinal, reconhecer-se como parte da Terra talvez também exija imaginar como a própria Terra percebe a si mesma.
Bernardo Mosqueira
Diretor artístico, SP-Arte Rotas
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ANTONIO HENRIQUE AMARAL
Antonio Henrique Amaral é uma voz singular na arte brasileira e latino-americana da segunda metade do século XX. Nascido em 1935, ele faz parte da geração que alcançou sua maturidade sob o arbítrio autoritário do regime militar implantado no Brasil em 1964, tendo produzido algumas das mais aguçadas alegorias desse período. Visceral, sua obra enfrentou com a mesma intensidade a violência política, o mal-estar existencial e o desejo erótico. Experimental, desafiou lugares comuns sobre composição cromática, tratamento de superfícies e coesão estilística. O cruzamento entre sua atitude visceral e sua ousadia experimental faz dele não apenas um criador que deve ter reconhecido seu lugar na história da arte brasileira e latino-americana, mas também um artista influente para as jovens gerações que desafiam normatividades e autoritarismos.
Coleções públicas: Centre Georges Pompidou, Paris, França; The Metropolitan Museum of Art, Nova York, EUA; Blanton Museum of Art, Austin, Texas, EUA; Art Museum of the Americas, Washington D.C., EUA; Rhode Island Museum, Providence, EUA; Makurasaki Museum, Makurasaki, Japão; Essex Collection of Art from Latin American, Colchester, Inglaterra; Casa de las Américas, Havana, Cuba; Museo de la Solidaridad Salvador Allende, Santiago, Chile; Museo de Arte Americana, Maldonado, Uruguai; Museo de Arte Moderno de México, Cidade do México, México; El Colegio de México, Cidade do México, México; Collección FEMSA, Monterrey, México; Museo de Arte Contemporáneo de Monterrey, Monterrey, México; Museo de Arte Moderno de Bogotá, Bogotá, Colômbia; Museo Rayo, Roldanillo, Colômbia; Museo Nacional de Arte, La Paz, Bolívia; Museo Vial Bogarín, El Tigre, Venezuela; Museum of Contemporary Art, Skopje, Macedônia; Instituto Inhotim, Brumadinho, Brasil; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo, Brasil; Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Brasileira, São Paulo, Brasil; Instituto Itaú Cultural, São Paulo, Brasil; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil; Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil; entre outras.
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Casal de novo, 1995 -
Sob o céu azul, 1975 -
MATIAS DUVILLE
Ashes of modernity, 2024 -
ZÉ CARLOS GARCIA
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